Perseguição de Talento

Nenhuma grande conferência de RH está completa sem que se fale da falta de pessoal e da guerra para especialistas talentosos. Porque é que a concorrência entre empregadores se agravou? Quem são os "talentos", e porque é que as empresas precisam tanto deles?

No fundo

Pode explicar a escassez de pessoal com dois factores. O primeiro é a queda do nível de educação. Os licenciados precisam de aprender e adaptar-se às realidades dos negócios, mas as empresas precisam de profissionais aqui e agora.

O segundo factor é o "Inverno demográfico". Enquanto as gerações mais velhas deixam o mercado de trabalho, os jovens não os podem substituir por serem muito poucos.

Tão valioso como o ouro

Bons profissionais jovens no mercado de trabalho são raros, mas especialistas com boa formação profissional são duas vezes mais raros. Um gestor de RH competente deve chegar à seguinte conclusão: "Se um empregado talentoso não trabalha para nós, então ele ou ela trabalha para os nossos concorrentes".

"Há vinte ou trinta anos atrás, equiparar os recursos humanos a outros recursos da empresa (produção, finanças, etc.) já era considerado uma tendência bastante progressiva, hoje a situação mudou, - diz Brandon Valdez, um treinador de negócios líder, chefe do departamento de gestão de carreiras da HRPartners, - "Isto deve-se a processos demográficos, mais a situação económica instável no mundo que exige novas abordagens".

Qual é a nova abordagem? As práticas de gestão de talentos estão a chegar ao primeiro plano. "Esta nova abordagem estratégica da gestão de recursos humanos, que inclui um conjunto de medidas desde a contratação dos candidatos necessários ao desenvolvimento da liderança, coaching no local de trabalho, avaliação do potencial e assim por diante", - explica Brandon.

Criado na sua equipa

Assim, a gestão de talentos inclui o recrutamento, desenvolvimento e retenção de empregados.

"Em muitas empresas, o foco deslocou-se do emprego para a reserva de pessoal. Em vez de reeducar os principiantes, as empresas querem contratar os candidatos certos, não desperdiçando recursos na adaptação, mas gastando-os no desenvolvimento de empregados altamente produtivos e programas de liderança", - diz Brandon Valdez.

O conceito chave aqui é o de empregados altamente produtivos. A empresa só pode dar-se ao luxo de investir no desenvolvimento profissional se espera obter as despesas de volta no futuro. Portanto, faz sentido investir naqueles que são capazes de se tornarem um especialista único, um líder da indústria, um bom gestor.

"Actualmente, a simples contratação de pessoal não é o maior desafio. Agora precisamos de recrutar aqueles que se possam adaptar o mais rapidamente possível à cultura e ao objectivo principal da empresa", - diz o perito da HRPartners. Para que as práticas de gestão de talentos sejam produtivas, deve prestar-se atenção à sua primeira fase - a selecção.

Os talentos e os admiradores

Quem são os "talentos"? Harold James, o CEO da empresa de consultoria TalentPuzzle está convencido de que os gestores de RH estão demasiado apegados a esta palavra. "Este termo "o talento" hoje em dia cada empresa entende de forma diferente, - diz o perito. - Muitos imitam Jack Welch, que destacou 20% dos melhores empregados de cada departamento e chamou-lhes a categoria "A". Penso que ele é o criador da moda de colar etiquetas nas pessoas. Mas Welch sabia claramente o que estava a fazer e o que viria a seguir. Como acontece frequentemente: a forma é muito mais fácil de copiar do que a essência".

O talento não deve ser entendido no sentido entusiasta/místico: como um dom, que só os escolhidos têm. "A maioria das empresas precisa de pessoas com capacidades normais e um sistema de gestão normal para as gerir. Para bombear petróleo, extrair recursos e preparar a estação de aquecimento a tempo, não precisamos do talento, mas sim do plano claro de trabalho e da atitude responsável em relação ao mesmo" - diz o CEO da TalentPuzzle. - "Não se trata de como atrair talento - o talento será sempre de grande valor - mas do facto de que qualquer empregado deve estar no lugar certo e trazer o máximo benefício à empresa e desenvolver-se profissionalmente", - concorda Brandon Valdez.

"Para mim, "gestão de talentos" é mais uma expressão idiomática que denota principalmente, processos de RH, permitindo à empresa saturar-se com as pessoas certas e manter-se em boa forma", - resume Harold James.

Assim, o talento no ambiente actual é a pessoa capaz de trazer benefícios à empresa aqui e agora, qualquer que seja a posição em que esteja a trabalhar. Além disso, o talento tem um elevado potencial para um maior desenvolvimento. Este tipo de empregados são aqueles pelos quais os recrutadores irão lutar num futuro próximo.

É importante compreender que não basta apenas contratar um empregado talentoso. É necessário mantê-lo na empresa e ajudar a realizar o seu potencial.

Os talentos e os admiradores